06 setembro, 2009

Em tempos de refilmagens, ´A órfã’ mostra a que veio


O filme ‘A órfã’, dirigido pelo espanhol Jaume Collet-Serra (também diretor de ‘A casa de cera’ de 2005) nos mostra o casal John e Kate (seria um trocadilho com o reality show ‘Jon e Kate + 8’ do canal Discovery home and health?) que resolvem adotar uma criança após perderem um bebê ainda não nascido.

Já pais de duas crianças, a surda-muda Max e o garoto Daniel, eles conhecem Esther no orfanato, que tem 9 anos, adora pintar e cantar, além de ser muito inteligente.

A garota é adotada, e então Kate e John sentem que o clima na casa irá melhorar. É aí que eles se enganam.

Estranhos acontecimentos, como o fato da jovem Esther tocar piano perfeitamente, e um ‘acidente’ no playground fazem Kate passar da curiosidade ao medo e reavaliar a idea da adoção.

Desacreditada pelo passado de alcoólatra e por ser responsável por um acidente no lago com a própria filha, Kate luta para provar a John e aos outros que Esther é má, e que pode causar muitos perigos à sua família.

O filme, que causou polêmica nos EUA por suas cenas de horror interpretadas por uma criança, pode parecer uma versão ‘Anjo malvado’ feminino, porém somente até os últimos 15 minutos de filme, quando o filme nos revela a verdadeira e horripilante origem de Esther.

Vale enaltecer a atuação da pequena Isabelle Fuhrman, no papel da antagonista homônima, muito bem colocada e bastante convincente.

Com final de tirar o fôlego, ‘A órfã’ não é um suspense/horror qualquer, e em épocas de refilmagens de ‘Sexta-feira 13’, é muito bem vindo!

Veja neste link o trailer do filme: http://www.youtube.com/watch?v=cB5zcyckRzc

25 agosto, 2009

“Quer que eu, realize o seu desejo?”


Em XXXHolic (XXXViciado, em tradução livre), nos deparamos com mais uma animação japonesa exclusiva para o público adulto.

De traços suaves e silhueta esguia, os personagens deste anime desvelam o mundo dos temperamentos humanos de forma bem sutil, mas mesmo assim, muito clara.

XXXHolic basicamente conta a estória de Kimihiro Watanuki, um garoto colegial que possui habilidades psíquicas, pode ver entidades espirituais e infelizmente, é atacado freqüentemente por elas.

Num dia, ele se vê salvo por um feitiço, lançado sobre um portão. É aí que ele conhece Yukko Ichihara, uma misteriosa mulher que afirma conceder desejos as pessoas. Eles então fazem um trato: Ela acaba com as visões de espíritos e a interação entre eles e Kimihiro, e ele trabalha por um tempo para ela (até ela achar que o pagamento foi proporcional, ou justo).

Esta série animada se desenrola mostrando diversas pessoas, seus desejos e como seus vícios estão atrelados.

A cada episódio, Kimihiro vai aprendendo mais sobre as pessoas, as mentiras que inventam, sobre a curiosidade humana, a vaidade, o medo, a ganância e os poderes, às vezes inconscientes, que as pessoas possuem.

Portanto, é um anime que nos faz refletir sobre as ações daqueles ao nosso redor, como as nossas próprias atitudes comportamentais.

Este desenho é produzido pelo grupo de animação Clamp, composto somente por meninas, e já conhecido no Brasil por obras como “As guerreiras mágicas de Rayearth” e “Sakura card captor”.

A animação é composta de duas temporadas, a primeira de 24 episódios, a segunda e última, de 13 sequências. Agora em 2009, já foram lançados continuações de XXXHolic, entituladas Sonho de primavera.

A primeira e segunda partes estão disponíveis na rede, e um filme, primeiro produto em animação baseado no mangá, também está disponível em sites especializados, como http://www.tsubasaproject.net/index.php

É atualmente exibida no canal pago Animax (pela Directv), mas pode ser baixada pelo site http://www.animescenter.com/, um ótimo portal para se ter acesso gratuito a animações japonesas, e algumas novelas nipônicas também.

Uma curiosidade é que XXXHolic, pelo menos no mangá, é uma história atrelada a uma outra produção do Clamp, o Tsubasa Chronicle (ou “As crônicas das asas”, também em tradução livre), história de sucesso em mangá, também transformada em anime, além de vários outro animes do Clamp. Da minha parte, não acho Tsubasa tão divertido quanto XXXHolic, mas vale uma olhadela também!

24 agosto, 2009

Chega as locadoras “Watchmen”


A adaptação Watchmen, História em quadrinho lançada originalmente em 1986, chegou às locadoras do Brasil.

O filme, dirigido por Zack Snyder (de “300”, outra adaptação de Hq, e também do horror “Madrugada dos mortos”, adaptação de 2004 da obra literária de George Romero), o filme mostra o período dos anos 80, através da ótica de pessoas com habilidades especiais, os nossos super-heróis.

Enfrentando uma sociedade pós-guerra do Vietnam, desesperada e corrupta, onde assassinos, prostitutas e outras figuras assolam a sociedade, obscurecendo o sonho americano.

Mesmo esses heróis, de caráter questionável, só aumentam o medo, e as linhas entre bem e mal são cruzadas a todo momento pelos personagens principais do filme.

Em meio a todo o caos urbano, surge a pergunta: Quem toma conta dos vigilantes da cidade?

No filme nos deparamos com os abusos de poder daqueles que supostamente deveriam cuidar de nós.

Os personagens são bem complexos, e quem espera uma diversão do tipo X-men, vai encontrar um prato indigesto! O que de forma alguma tira crédito da história, também complexa e muito envolvente.

A dica que dou é, alugue o filme, mas leia a história em quadrinho também, que é bastante inteligente e muito bem escrita e colocada.

Para os fâs da história em quadrinho, há também a versão do diretor, com cenas adicionais, que complementam a história, tornando-a mais parecida com a versão em papel da trama.

Link para trailer: http://www.youtube.com/watch?v=E4blSrZvPhU&feature=fvst

20 março, 2009

“O leitor” - Segunda Guerra, adolescência e outras paixões.


“O leitor”, que estreou há poucas semanas no Brasil, já ‘oscarizado’ pela atuação de Kate Winslet, apresenta uma estória um tanto densa e por isso tão bela.

O filme mostra cenas do passado de Michael Berg adulto (representado por , Kate é Hanna Schmitz, uma cobradora de bondes pobre auxiliando um jovem Michael Berg, de 15 anos que passa mal.

Os dois começam uma amizade subitamente, e logo se tornam amantes em uma paixão arrebatadora, que recheia o filme de cenas muito belas de afeto, sexo e amor.

A cada encontro, o sentimento que antes parecia somente instintivo, se torna mais forte, e os faz questionar os rumos do relacionamento.

No ponto mais alto do relacionamento, Hanna desaparece. Mais tarde, quando Michael está cursando Direito, vê Hanna ser julgada por trabalhar como guarda para a SS, o exército nazista.

Por sua incompreensão e simplicidade com relação aos atos hediondos ocorridos no campo de Auschwitz, Hanna é condenada como mandante das mortes ocorridas lá, e da morte de centenas de mulheres em incêndio que ocorreu numa pequena igreja.

No entanto, um segredo dela poderia mudar tudo, algo que ela considera pior do que matar pessoas.

O filme nos coloca na pele de Michael Berg, e como a paixão da adolescência, seu caminho e suas escolhas afetaram fortemente seu caráter, e também o que essa paixão causou também à Hanna.

Um filme forte e inteligente, que mostra como a crueldade e a inocência podem conviver lado-a-lado.
Link para trailer do filme: http://www.youtube.com/watch?v=I50ZKFCqr8g

14 março, 2009

"Coraline e o mundo secreto", ou Alice no país dos góticos


Em “Coraline e o mundo secreto”, nos deparamos com a personagem homônima tentando se adaptar ao novo apartamento, fato que muitas crianças tem que superar quando mudam de residência: deixar os bons amigos para trás, se adaptar ao novo ambiente, conhecer os vizinhos veteranos, arranjar novos amigos...enfim, para Coraline, uma chatisse, ainda mais quando os pais dela não lhe dão a atenção que ela quer.

No entanto, Coraline um dia encontra uma pequena porta, que a leva a um mundo onde tudo e todos são mais bonito e jovens, e onde seus “Outros pais” sempre lhe dão atenção, além de prepararem deliciosas refeições para a garota.

No entanto, com o tempo e a ajuda do gato preto, Coraline descobrirá que terá de enfrentar alguns desafios, não só para salvar aqueles que se perderam neste mundo, mas também a si mesma.

O filme, que é baseado numa História de Quadrinhos de Neil Gaiman (também autor da aclamada HQ “Sandman”), é uma clara releitura de “Alice no país das maravilhas”, de Lewis Carrol, famosa estória da menina que se depara com um mundo mágico e misterioso, e que utiliza de toda sua coragem para tentar encontrar o caminho de volta para o mundo real.

Visualmente, a película é muito bem feita, e fica ainda mais animada na sua versão em 3D, porém peca por apresentar personagens muito simplórios e nota-se pequenos furos no roteiro, uma delas a não-explicação para o porquê da Outra mãe querer mantê-la no outro mundo.

Algumas cenas também podem assustar algumas crianças, portanto faz se bem em acompanhar os pimpolhos na sessão!

O filme foi dirigido por Henry Selick, também diretor de “O estranho mundo de Jack” e “James e o pêssego gigante”, ambas animações em stop-motion de sucesso.

O filme ainda está em cartaz, e com certeza vai manter as crianças inquietas ocupadas por algumas horas.
Quer ver o trailer do filme? Clique aqui >>> http://www.youtube.com/watch?v=xDTOPd5F_hg&feature=related

13 março, 2009

Bruxas soltas nessa sexta-feira 13!


Em "Suspiria", um dos clássicos de Dario Argento, Jessica Harper é Suzy, uma bailarina norte-americana que deseja aperfeiçoar seus estudos na dança, e por isso entra para uma prestigiada academia alemã de dança.

Ocorrências estranhas, como a morte bizarra de uma bailarina que acaba de deixar a escola, começam a despertar em Suzy uma estranha sensação de insegurança.

Suzy descobre que além de escola de balé, o lugar antigamente também fora uma escola de bruxaria, onde terríveis bruxas aprendiam as práticas do mal, sob o comando de Helena Markus, a poderosa Rainha Negra fundadora do conciliábulo.

Em breve, Suzy terá que despreender de toda sua coragem para tentar eliminar o coven maldito e todos planos cruéis das bruxas do local.

O filme é considerado um dos clássicos do horror, e muitos cinéfilos usam esta película como referência para o italiano Dario Argento.

As imagens e os cenários são absurdamente coloridos e vivos, como se a escola tivesse vida própria.

A cena do ataque ao pianista cego surpreende, e o encontro com a Rainha Negra é bastante assustador, ainda mais do ponto de vista de uma bailarina franzina e sensível.

Vale ver o filme por se tratar de um ambiente completamente feminino, onde competição, um ar de leve arrogância/maliciosidade convive com uma amizade útil (porém curta), além de mortes perversas, como são as mulheres propriamente (assim afirmava Nietzsche).

Além de hoje ser SEXTA-FEIRA 13, nada mais legal que assistir um filme de terror com os amigos para espantar as energias ruins!
Link para trailer no youtube: http://www.youtube.com/watch?v=_8zbV_fFkYs

Por que não gostei de “O curioso caso de Benjamin Button”


Brad Pitt. Tudo bem, o filme tem a personalidade e vivacidade de Daisy, vivida pela ótima Cate Blanchett, a perspicácia da personagem Elizabeth Abbott (Tilda Swington), uma espiã frustrada por tentar ser a primeira mulher a cruzar o Canal da Mancha e não conseguir, além do bom humor do capitão Mike (Jared Harris), que se autodenomina um artista, com seu corpo tatuado quase inteiramente.

Agora...vejamos o personagem de Brad Pitt...

Extremamente parado. Ele não vive, ele reage. Ao meu ver, ele não começa nenhum diálogo, ele só serve como um receptor, o filme inteiro. Será que só eu tive essa impressão?
Surpreendente foi ele ter sido indicado ao Oscar de melhor ator, fiquei chocado pois nunca tinha visto um personagem tão insípido e morto. Não precisava esperar por todo filme para vê-lo morrer, ele já estava morto antes mesmo de nascer.

A caracterização do personagem, sem dúvida, foi um dos marcos deste filme, mas não compensa ver Benjamin Button como nós, flutuando no filme e vendo os fatos se desenrolarem, sem poder fazer nada para modificar o rumo da estória.

Não que um personagem que rejuvenesce ao invés de envelhecer não tenha seus méritos. Porém entre tantos personagens ricos e humanos, Benjamin parece uma concha vazia.

Porém devo levar em consideração a assustadora cena do ataque ao submarino nazista, muito bem feita e chocante.

Também não pode-se esquecer das cenas com os personagens do asilo, que são as mais engraçadas, e as mais profundas também. Nestas cenas, temos reflexões sobre o significado da vida e também a afirmação de que às vezes, simplesmente estar vivo já é um milagre, ainda mais quando se vive num asilo, onde a morte normalmente está muito próxima.

Infelizmente, não pude ler o livro no qual o filme foi baseado, mas fazer comparações entre obras escrita e cinematográfica parece ser bastante injusto (menos com o caso de “Drácula de Bram Stoker”, já abordado nesse blog!).

Prêmios recebidos

O filme abocanhou os Oscar de Melhor direção de Arte, Melhor Maquiagem e Melhores Efeitos Especiais, todos merecidos para uma obra altamente ligada ao físico, ao visual, que realmente encanta e nos coloca no enredo de Benjamin.